Anthony Johnson após ser trucidado por Daniel Cormier no solo (Foto: Reprodução/John Locher)

O Ultimate desembarca neste sábado (08) na cidade de Buffalo, em Nova Iorque, nos Estados Unidos para realizar o UFC 210. O evento que será sediado no ginásio KeyBank Center, casa do Buffalo Sabres, time de hóquei no gelo da Liga Nacional, marca o retorno da organização a cidade nova-iorquina após quase 22 anos da promoção do UFC 7 que ocorreu em setembro de 1995. Naquela ocasião com pouco mais de nove mil pessoas, o destaque foi para o brasileiro Marco Ruas que venceu o torneio sem classe de peso ao derrotar Larry Cureton e Remco Pardoel por finalização, e nocautear Paul Valerans na final. Duas décadas se passaram e o Ultimate retorna para promover na luta principal a revanche entre Daniel Cormier e Anthony Johnson pelo cinturão dos meio-pesados. Além disso teremos um duelo muito aguardado pela divisão dos médios entre Chris Weidman e Gegard Mousasi.

Enquanto o ex-campeão Jon Jones aguarda o término de sua suspensão de um ano por ser flagrado no doping às vésperas do UFC 200 em julho de 2016, a categoria até 93kg segue no seu curso tendo como atual campeão o ex-wrestler olímpico Daniel Cormier.

Atleta da renomada American Kickboxing Academy (AKA), o americano de 38 anos Daniel “DC” Cormier (18-1) continua sua saga para provar seu valor com o verdadeiro campeão, título questionado por muitos pelo fato de nunca ter vencido aquele que para muitos é o real campeão, Jon “Bones” Jones. Cormier faturou o cinturão vago dos meio-pesados em maio de 2015 com uma vitória por finalização sobre Anthony Johnson no UFC 187. Á princípio o então campeão Jon Jones defenderia a cinta contra Anthony Johnson, porém, acabou se envolvendo em um acidente onde demonstrou má conduta e irresponsabilidade em não socorrer a vítima e foi destituído do cinturão. Logo em seguida a organização convocou “DC”, que vinha de derrota para Jones no UFC 182, para substituí-lo e encarar Johnson pelo posto vacante.

Anthony Johnson e Daniel Cormier promovem encarada na pesagem do UFC 187 (Foto: Reprodução)

Ambos fizeram uma batalha eletrizante. Anthony Johnson que vinha de vitórias sobre Phil Davis, Rogério Minotouro e Alexander Gustafsson, este dois últimos com nocautes brutais no primeiro round, buscou a luta em pé na tentativa de liquidar a fatura com sua trocação feroz e letal. No início da luta Johnson conectou um potente overhand que derrubou Cormier, mas o ex-atleta olímpico foi inteligente e sabendo do perigo que era ficar em pé, trabalhou o clinch e as quedas com um ground and pound muito efetivo para cansar e suplantar a brutalidade de “Rumble”. Cormier trabalhou seu wrestling com eficiência e fez jus à sua faixa-marrom de Jiu-Jitsu ao conseguir encaixar um mata-leão no terceiro round, finalizar o confronto e conquistar o título linear dos meio-pesados.

Daniel Cormier comemora a conquista do cinturão (Foto: Reprodução)

Após o triunfo, “DC” realizou sua primeira defesa contra o sueco Alexander Gustafsson no UFC 192 e conseguiu sair com a vitória por decisão dividida em um duelo emocionante e bastante acirrado. Posteriormente, a ideia da organização era casar uma revanche entre Cormier e Jones para o UFC 200 em julho de 2016. Jones fez seu retorno no UFC 197, e em uma apresentação decepcionante venceu Ovince St.Preux por decisão unânime além de conquistar o cinturão interino, um cinturão sem razão alguma para ser criado, apenas com intuito apelativo para a divulgação da revanche entre os dois. O duelo então foi marcado, os dois rivais que sempre nutriram uma animosidade se enfrentariam para resolver aquela pendência, entretanto, às vésperas do evento o ex-campeão Jones foi pego no exame antidoping e retirado do combate, frustrando os planos de Dana White e colocando por água abaixo todo o marketing investido na promoção do combate. Querendo manter o campeão no evento, o Ultimate agiu rápido e escalou a lenda Anderson Silva para encara Daniel Cormier em um combate não válido pelo título. Cormier aceitou e venceu a luta sem muitas dificuldades, dominando os três rounds com seu wrestling primoroso e sua força física visivelmente superior.

Anthony “Rumble” Johnson (19-5) por sua vez, em seguida ao revés sofrido para Daniel Cormier realizou mais três combates ou melhor dizendo, “fez mais três vítimas” ao fulminar brutalmente Jimi Manuwa, Ryan Bader e Glover Teixeira, todos por nocaute. Implacável como sempre, Johnson possui a trocação mais temida da categoria sem sombra de dúvidas. Ele que no primeiro encontro contra DC já demonstrara muito poder nas mãos e demasiada ferocidade, contudo, pouca técnica, evidenciou ao longo dessas três lutas um profundo aperfeiçoamento, apresentando calma e precisão na hora de conectar seus violentos golpes. Após os rápidos triunfos, Johnson teve sua nova chance pelo cinturão confirmada e enfrentaria Cormier no UFC 206 em novembro de 2016, porém o campeão se lesionou e o duelo foi remarcado agora para o UFC 210. “Rumble” que possui apenas uma derrota nos seus últimos dez combates, justamente para Cormier, agora se prepara para a revanche na busca por vingança e pelo tão almejado cinturão.

O campeão é favorito, embora tenha demonstrado uma evolução, Johnson terá de superar um dos melhores wreslters do UFC e mostrar uma excelente defesa de quedas para manter a luta em pé e buscar o nocaute. “DC” é muito forte fisicamente e consegue quedar seus adversários de forma colossal, Jones foi o único que conseguiu anular o jogo do ex-peso pesado que também não é bobo na trocação e mostrou qualidade em suas lutas contra o próprio Jon Jones e contra Gustafsson, entretanto é melhor não correr riscos frente ao brutal Anthony Johnson, buscar o clinch e trabalhar o chão é o melhor caminho a seguir. Mesmo sendo oriundo do wrestling colegial e amador, Johnson não possui o mesmo nível que o rival, porém é esperado que ele tenha se esforçado demasiadamente para que consiga manter pelo menos os dois primeiros rounds em pé e procure liquidar rapidamente o confronto.

“Redenção x Ascensão”

Chris Weidman apresenta corte profundo após sofrer joelhada brutal de Yoel Romero (Foto: Reprodução)

O co-main evento trará um duelo de peso entre Chris Weidman e Gegard Mousasi. Diante de uma categoria travada por causa de um campeão que se recusa a defender o cinturão contra os reais desafiantes e prefere aceitar combates incoerentes, porém rentáveis, este duelo movimentará a divisão até 84kg.

O ex-campeão dos médios Chris Weidman (13-2) realizou um dos maiores feitos na histórias do MMA e de sua carreira ao derrotar a lenda Anderson Silva em julho de 2013 por nocaute no UFC 162. Posteriormente na revanche, Weidman venceu novamente, desta vez por nocaute técnico após uma lesão do brasileiro ao desferir um chute baixo. Weidman não parou por aí e em seguida bateu Lyoto Machida e Vitor Belfort, mantendo o título da categoria em suas mãos e vencendo assim os três maiores nomes do Brasil nos médios à época. Em grande fase, teve pela frente seu primeiro desafiante compatriota, Luke Rockhold no emblemático UFC 194, onde venceu os dois primeiros rounds, mas acabou cometendo um erro no terceiro que lhe custou a derrota por nocaute técnico no round seguinte, perdendo além de sua invencibilidade, o cinturão. Uma revanche foi marcada para o UFC 199 em junho de 2016, porém, Weidman se lesionou e foi substituído às pressas pelo inglês Michael Bisping que faturou a cinta com um nocaute sobre Rockhold.

O “All American” passou quase um ano longe do octógono se recuperando e retornou no UFC 205, evento que marcou o retorno do MMA ao estado de Nova Iorque, enfrentando o cubano Yoel Romero. Embora tenha tido um bom início de luta, Weidman acabou sofrendo uma joelhada voadora brutal do cubano no terceiro round que abriu um profundo corte na cabeça do americano, levando o árbitro a interromper a luta após Romero desferir mais alguns socos. Weidman amargou sua segunda derrota seguida e agora busca recuperação frente ao duríssimo Gegard Mousasi.

Gegard Mousasi (Foto: Reprodução)

Nascido no Irã, com nacionalidade Holandesa e etnia armênia, Gegard Mousasi (41-6-2) torna bastante confusa sua origem, mas deixando isso de lado, é um dos atletas mais experientes do UFC e que vive sua melhor fase na organização. Ex-campeão meio-pesado do StrikeForce, Mousasi teve um início oscilante com três vitórias e duas derrotas em suas cinco primeiras lutas. Após ter terminado o ano de 2015 com um amargo revés por TKO para Uriah Hall, o holandês estava determinado a ter um ótimo ano  e conseguiu emplacar quatro vitórias seguidas derrotando Thales Leites, Thiago Santos, Vitor Belfort e Uriah Hal, estes três últimos por nocaute/nocaute técnico. Não obstante ele tenha apenas 31 anos de idade, iniciou sua carreira aos 18 anos e vai para sua 50° luta profissional de MMA em busca do quinto triunfo seguido e de ficar mais próximo do cinturão.

Chris Weidman e Gegard Mousasi posam para fotos (Foto: Reprodução)

Um duelo muito interessante entre um excelente wrestler e um kickboxer dono de um sólido jogo de chão. Weidman terá de utilizar com maestria seu wrestling e trabalhar muito bem as transições, assim como Jacaré anulou o próprio Mousasi em 2014. Mousasi por sua vez é um contra-golpeador, que aguarda o erro do adversário para ser fatal e mostrar sua agressividade. Será um combate estratégico, onde nenhum dos dois pode se dar ao luxo de errar, a atenção será fundamental nesta luta. De um lado, Weidman busca recuperação e do outro Mousasi quer se firmar como um verdadeiro desafiante ao cinturão da categoria, eai quem vence ? Façam suas apostas, boa sorte e até a próxima!

 

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