Joanna Jedrzejczyk vs. Claudia Gadelha II

Antes de começar a falar sobre a disputa do título dos Palhas Femininos no UFC 211, queria entrar num acordo com você, leitor. A campeã se chama Joanna Jedrezejczyk, muita letra consoante para pouca vogal, né? O nome é tão complicado que cada um pronuncia de uma forma diferente, mesmo depois dela explicar como se fala. Por isso, vamos, lá, vou chama-la de Joanna mesmo, ou no máximo de JJ – na verdade, ela é uma potência quase tão impactante quanto o jones, não? Em algum tempo, quem sabe, não o supera? Beleza e carisma ela tem, coisas que Bones nunca teve, e não precisamos falar nada da habilidade, não é?

Bom, talvez por abordar a campeã no primeiro paragrafo dessa resenha tenha te deixado com a pulga atrás da orelha. Provavelmente você está ai pensando “Por que esse indivíduo não falou um único ai sobre a Jéssica? Cadê o patriotismo? Tá achando que a luta vai ser fácil assim pra gringa?”.

E bom, é quase isso mesmo. Não quero deixar ninguém frustrado, mas parando para analisar com frieza a Joanna é superior em algumas valências.

Mas vamos lá, me deixe dar minha opinião e no final de ler, me digam se mudaram de ideia, ou discordam completamente. Beleza?

Altura & Envergadura

A campeã Peso Palha do UFC (até 52kgs) é uma menina alta para a categoria – ela é maior do que praticamente 4/5 de todas as lutadoras de lá, com seus 1,67 de altura.

A desafiante ao cinturão, nossa compatriota, Jéssica Andrade, faz parte desse grupo de lutadores que é menor que a campeã, com seus 1,57 de altura.

Quando o assunto é alcance novamente a campeã supera a desafiante. Joanna tem 1,65 de envergadura (ok, a cima comparei ela com o Jon Jones, mas nesse sentido não há uma proporção parecida, mas isso acontece porque Jones é desproporcional dentro do UFC, com sua altura sendo superada pela sua envergadura por 22 cm), enquanto do outro lado do octógono temos a brasileiro com seus 1,57 de alcance. A diferença é pouca, mas esses 8 centímetros podem fazer diferença, mas lembrem, apenas como comparação o que os 10 cm de diferença que havia entre Connor e Aldo, causaram.

Peso & Corte de Peso

A campeã competia antes de ingressar no MMA como atleta de Muay Thai em uma faixa de peso que ia de 57 a 52 kgs. Assim como toda atleta de MMA, e como a própria já comentou, ela faz uso do corte de peso para atingir a marca limite dos Palhas, que é igual ao limite inferior da categoria em que competia no Muay Thai. Dito isso, podemos afirmar que ainda que o corte de peso seja inferior ao da adversária ela também o faz.

A desafiante, por sua vez estreou no maior evento do mundo na categoria dos Galos (até 61kgs), cuja atual campeã é a também BR Amanda Nunes, mas que na época era a judoca Ronda Rousey. Na época Jéssica impressionou por vencer atletas maiores e mais fortes que ela. Contudo a diferença física se tornou visível com os altos e baixos que teve na categoria (seu retrospecto nos Galos até sua descida de peso era 4 V – 3 D). Mesmo com muita massa muscular a brasileira conseguiu descer para o peso Palha e de lá para cá não foi derrotada uma única vez, finalizando ou nocauteando todas suas três adversárias.

Striking vs. grappling

O gabarito da campeã na trocação é inquestionável, tendo incontáveis títulos de relevância mundial em suas costas. Rápida, explosiva, com um cárdio interminável, muito precisa e agressiva, a campeã é inteligente, além de habilidosa usando setups diferentes, misturando movimentação e golpes em ângulos e alturas diferentes, sempre alternando entre chutes, joelhos, cotovelos e socos. Para “Piorar” Joanna já demonstrou que não é um fio desencapado moldado no inferno, mas também é uma lutadora esperta e fria, capaz de atuar contra golpeando.

Jéssica se destacou no Jiu Jitsu, mas apesar de sua habilidade na arte suave, também treina as outras valências do MMA, conseguindo bons nocautes no começo de sua carreira. Contudo seu carro chefe é brazilian jiu jitsu onde se destaca por sua explosão e força, capaz de subjugar adversárias bem maiores e mais pesadas que ela mesma.

Considerações Finais

A desafiante foi superada por tamanho e força física quando lutava no peso Galo, agora nos Palhas, categorias separadas por 9kgs de diferença, ela se mostra em seu auge físico e técnico. Muito explosiva e talvez a atleta mais forte, fisicamente falando, dos Palhas, Bate Estaca vem levando terror ao coração de suas adversárias. Seu poder de nocaute é grande e incomum para a faixa de peso, contudo ela é uma trocadora limitada, contando sempre com a sua força e punch, do que com técnica. Faz isso por ter como melhor habilidade o jiu jitsu principal, usando sua trocação de forma secundária, na maioria dos casos para encurtar a distância e colocar a luta para baixo. Joanna, a campeã, em contra partida é especialista na luta em pé, que sabe jogar no ataque, com sua agressividade e volume surreal, ou com inteligência, na defensiva, abusando de contra golpes doloridos. A envergadura superior garantirá um raio de ação para a campeã bombardear a rival antes que ela possa reagir somando isso a movimentação de ótima qualidade, fará com que a brasileira tenha que cortar um dobrado para chegar próximo o suficiente para tentar grudar e então levar a luta para o chão.

Agora, se você que lê, acha que uma vez que a barreira da envergadura e movimentação da campeã for superara coloca-la para o chão será fácil, está BEM enganado. Joanninha consegue evitar 82% das quedas, inclusive sobreviveu a diversas adversárias com habilidades de grapling muito expressivas, incluindo a ex-desafiante ao cinturão Claudia Gadelha, uma eximia lutadora da arte suave.

É verdade que a brasileira pode definir tudo com um bom golpe, e sua força física é incomum, mas a campeã tem um arsenal capaz de superar isso, com certa calma. Além do, mas, graças a massa muscular extra, a brasileira perde ritmo com o passar dos rounds, coisa que não acontece com Joanna, que não tem problemas com seu gás. Valência essa que se mostrou decisiva contra Gadelha, que começou muito forte nos primeiros rounds, mas a medida que o dano causado pela campeã aumentava e que os tempo passava, vou se exaurindo.

Em resumo, a campeã deve manter o título novamente, em uma decisão unânime. Pouca coisa deve sair do controle, Joanna precisa apenas seguir o fluxo da luta, como sempre faz, usando seu volume, sua movimentação, sua variação, anulando as tentativas de queda da adversária, e dando um show de sanguinolência. Mas, não se enganem, caso já estejam convencidos do eu ponto de vista; as chances da brasileira são reais, um golpe pode resolver tudo, abrindo caminho para a arte suave ou para a brutalidade da Bate Estaca no ground and pound.

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