
Após sua polêmica derrota para Ciryl Gane no UFC Freedom 250, Alex Pereira expressou seu descontentamento com o árbitro Herb Dean, afirmando que não deseja que ele esteja presente em suas próximas lutas. O ex-campeão em duas categorias acusou Dean de não intervir diante de supostos golpes ilegais na parte de trás da cabeça antes de interromper a luta.
Embora Pereira tenha manifestado sua insatisfação, a questão que surge é: um lutador do UFC pode realmente vetar um árbitro? A resposta é não, pelo menos não de forma direta. A possibilidade de contestar a designação de um árbitro depende da comissão atlética que supervisiona o evento, e a decisão final não pertence automaticamente ao lutador ou ao UFC.
Pereira pode se recusar a lutar com Herb Dean como árbitro?
Embora Pereira não possa escolher seu árbitro preferido, ele pode ter um caminho para contestar uma designação. O Código Administrativo de Nevada, Seção 467.219, estabelece procedimentos para a seleção de árbitros em determinados eventos e para a apresentação de protestos sobre as designações.
A possibilidade de Pereira utilizar esse processo dependeria da comissão que supervisiona sua luta e das circunstâncias específicas. No entanto, uma objeção não garante a substituição do árbitro.
Histórico de lutadores do UFC desafiando designações de árbitros
Casos anteriores demonstram que contestar um árbitro não assegura a mudança. Em 2016, reguladores de Nevada rejeitaram a objeção de Jon Jones à designação de John McCarthy para o UFC 200. Daniel Cormier também expressou preocupações sobre Herb Dean antes de seu rematch programado com Jones no UFC 197. Esses casos ilustram os limites da influência de um lutador, em vez de estabelecer a frequência com que tais protestos são bem-sucedidos.
Em uma situação notável, Marc Goddard decidiu se retirar da arbitragem do rematch entre Israel Adesanya e Alex Pereira após a controvérsia na luta anterior. Essa foi uma decisão do árbitro, e não uma confirmação de um protesto bem-sucedido por parte de um lutador.
O advogado de esportes de combate, Erik Magraken, analisou se existem recursos legais disponíveis quando as decisões de um regulador envolvendo árbitros são contestadas. No entanto, a possibilidade de um desafio legal não significa que um lutador possa automaticamente forçar uma nova designação. O resultado depende das regras aplicáveis e das circunstâncias do caso.
Quem controla as designações de árbitros no UFC?
As designações de árbitros geralmente estão sob a autoridade da comissão atlética ou do órgão regulador que supervisiona um evento. Em Nevada, a Seção 467.219 do Código Administrativo de Nevada confere à Comissão Atlética de Nevada a responsabilidade pela seleção de árbitros para eventos principais de campeonato e outros eventos especiais designados.
A regulamentação também permite que um licenciado pela comissão proteste contra a designação de um árbitro e apresente fundamentos para solicitar uma substituição, desde que o protesto siga o procedimento exigido. Isso significa que um lutador pode contestar uma designação, mas não tem automaticamente o direito de escolher um substituto.
O CEO do UFC, Dana White, também destacou a diferença entre o papel da promoção e o da comissão atlética. Quando questionado se Dean havia perdido a capacidade, White respondeu: “Não sei… não sei a resposta para essa pergunta, mas isso não depende de mim. Isso depende da comissão.” Sua resposta ressalta a distinção entre o papel do UFC na organização das lutas e a autoridade da comissão sobre as designações de arbitragem onde possui jurisdição.
Isso não depende de mim, isso depende da comissão.
Conclusão
Pereira pode criticar publicamente Herb Dean e pode ter a possibilidade de contestar uma futura designação através da comissão apropriada. No entanto, ele não pode assumir que sua objeção resultará na remoção de Dean. As regras e decisões da comissão determinarão se uma mudança será feita.
Para Pereira, essa distinção é crucial: ele pode expressar suas objeções, mas conseguir um árbitro diferente é uma questão completamente diferente.