Por que Mcgregor caiu para Dustin Poirier no UFC 257?

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UFC 257 uma noite de Espetáculos

Neste último final de semana, no dia 23/24 de Janeiro, tivemos o UFC 257,um evento impressionante, com um desfecho em sua luta principal, entre Dustin Poirier e Conor McGregor, pela categoria dos Leves (70kg), emblemático.

Para nós, aqui no Brasil, essa luta aconteceu na madrugada de domingo, mas oficialmente o evento aconteceu no sábado.

Dobrando a vontade do próprio Dana White, quebrando as bancas, e indo contra o hype criado pela mídia, Poirier finalmente tornou-se um diamante derrubando McGregor.

E é sobre isso que vou falar para você!

Dustin Poirier quebra a banca no UFC 257

(Photo by Jeff Bottari/Zuffa LLC)

O UFC 257 aconteceu na Etihad Arena nas ilhas Yas, em Abu Dahbi, nos Emirados Árabes Unidos. O evento teve lutas incríveis, mas o Main Event era uma cereja em cima do bolo feito de ouro e muitos milhares de dólares. 

Principalmente com o desfecho que o próprio UFC não se preocupava em esconder.

Dana White e a propaganda do UFC deixaram bem claro, nesse último mês, para quem torciam, ao ponto de deixar o outro cara que lutaria completamente apagado. 

McGregor era o único iluminado pelo holofote da mídia e, como não poderia ser diferente, às casas de apostas embarcaram na onda. Haviam sites oferecendo de 2 até 5 vezes o valor apostado em Poirier, no caso de sua vitória.

Algumas pessoas se deram bem, certo?

Dustin Poirier derrotou Conor McGregor na metade final do segundo round após implementar o jogo correto que lhe brindou com um belíssimo nocaute técnico.

Poirier vs. McGregor

É possível dividir essa luta em três momentos diferentes: o começo, com o Conor dominando, o meio com Dustin se adaptando e o final, com o Diamante vencendo.

Em cada momento desses, a luta apresentou dinâmicas diferentes, com um ou os dois acertando ou errando – o que, cá entre nós, só deixou tudo ainda mais sinistro!

O que é Conor McGregor

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O ex duplo campeão, dos Penas (até 66kg) e Leves (até 70kg) se tornou notório por fazer previsões sobre suas lutas e cumpri-las. Suas performances e sua confiança são características pouco presentes em outros atletas em esportes de combate como nele.

Conor é um contra golpeador eficiente. Sendo quase perfeito no uso em conjunto de potência, timing e precisão.

Seu jogo é construído para que sua mão esquerda funcione e conecte em seus adversários. Ele sempre joga chutes, rodados, altos ou baixos, para que o outro cara se mova para o lado esquerdo, o seu ponto forte.

Com uma postura elusiva, engana adversários que acreditam tê-lo em seu alcance, quando na verdade não o tem. Notorious os engana ao inclinar o corpo para frente, já que com sua base bem aberta e envergadura incomum, consegue inclinar-se e voltar o tronco para trás e ainda assim golpear seu oponente.

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É por isso que seus contragolpes funcionam tão bem. O adversário vai atacar achando que está na distância correta, McGregor leva seu tronco  para trás obrigando o atacante a estender seu golpe, se abrindo completamente para o cruzado de esquerda entrar – geralmente por cima do ataque do adversário, acertando-o em cheio no rosto.

Soma-se isso a força que o atacante faz para se deslocar para frente – tornando o cruzado de esquerda um golpe de encontro fortíssimo. Foi assim com José Aldo, por exemplo

Essa postura ainda o ajuda a recuar com velocidade e sair do raio de alcance dos ataques inimigos. O que costuma acontecer é que ao fazer isso, o irlandês solta alguns golpes de encontro – cruzados de esquerda preferencialmente.

Seus ataques em linha são excelentes, e geralmente causam estrago quanto acertam em cheio seus adversários. Contra Eddie Alvarez, podemos ver isso funcionando muito bem.

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McGregor também faz uso da base aberta para atacar. Mas dessa vez fazendo o movimento oposto, ele se inclina para frente estendendo seus jabs e diretos aumentando a potência desses golpes. 

Como um agressor, Conor, que tem um excelente boxe para o MMA, encurta um pouco a sua base – ainda que ela esteja bem aberta, e sempre caminha para frente, buscando pressionar seu adversário e aplicar potentes diretos. 

Notorious é muito rápido em alternar essas duas posturas, mas é mais eficiente na primeira, na de contragolpear. Apesar disso, as duas se complementam muito bem, ele ataca, causa danos, recua, aproveita o avanço do oponente e o pega com seu melhor golpe, o cruzado de esquerda de encontro.

O que é Dustin Poirier

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O ex-campeão interino dos Leves (70kg) até metade da sua carreira dentro do UFC era um lutador visceral e pouco preocupado em se defender. Confiava nas suas mãos potentes, no volume de golpes, no seu gás, queixo duro e no alto nível de luta agarrada que tinha.

Foi isso que o fez chegar até as cabeças das divisões por onde passou, mas o também, boa parte do motivo de suas derrotas.

Poirier deixou de ser um kickboxer que se defendia com o ombro e confiava no poder de absorção e nas mãos potentes e tornou-se um atleta mais consciente, um diamante polido – não apenas por mudar de categoria de peso, mas implementando estratégia e melhorando sua técnica.

Essa mudança ampliou seu arsenal. Contribuindo não só para a melhora do seu sistema ofensivo como para o defensivo também.

Solidificou sua movimentação, permitindo-o  entrar e sair do alcance de seus adversários, para golpear e se proteger. Além de fazê-lo caminhar lateralmente o que facilitou busca ângulos e ficar menos exposto ao adversário.

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Sua guarda foi transformada, já com o auxílio da movimentação, que agora mais fechada, trabalha tanto com o ombro, como a guarda padrão mas, aliando isso a esquivas de cabeça e tronco.

Seu boxe se tornou sua arma principal, apesar de chutes serem pontuais em suas lutas. Poirier passou a investir mais em combinações de jab, direto, cruzado e ganchos, aplicando mais volume do que potência – essa só surgindo na hora certa.

Aliando resistência física e gás bem acima da média, o diamante agora polido, passou a procurar brechas, caçar seus adversários com golpes junto às suas combinações e matá-los com volume e potência. 

McGregor Derrotado: como aconteceu?

Não sei você, mas pra mim, essa luta foi um espetáculo de técnica, estratégica e superação.

É de conhecimento geral que McGregor é um lutador potente e perigosíssimo enquanto tem energia e gás no tanque. 

Para alguns ele tem um dos melhores inicio de luta do esporte e, talvez motivados pelos espetaculares nocautes que ele aplicou em algumas de suas lutas que aconteceram ainda no primeiro round, outros, o melhor.

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O começo da luta ocorreu como o público e a mídia esperavam, Conor McGregor avançou e buscou a luta sendo o agressor – talvez motivado pela previsão de vitória em 60 segundos. Saiu-se melhor, ainda que o diamante tenha ensaiado movimentos que no decorrer do combate roubaram o holofote.

Estrategicamente Poirier – que com certeza analisou incontáveis vezes as diversas apresentações de McGregor, buscou a queda, após um finta com um overhand que confundiu o Notorious.

Surpreendentemente, Conor conseguiu defender as investidas o americano e se levantou, apenas cedendo a posição de dominância para o seu adversário na grade – pra quem dizia que o cara ia ser feito de saco de batatas por grapplers superiores, olha ai!

Provavelmente o objetivo de Poirier era manter o irlandês por baixo para, pelo menos, cortar seu ímpeto inicial que é sempre dominante e perigoso. E entre pisões, cotoveladas e ombradas trocadas por ambos, acredito que podemos dizer que ele teve êxito, ainda que de uma forma diferente da planejada.

Quando a luta saiu da grade e, a trocação estancou você pode ter reparado que o ex duplo campeão estava mais estático – eu já diria cansado e/ou frustrado. Mesmo assim o Notorious acertou seus melhores golpes, um direto de esquerda, que fez Dustin recuar, e um jab poderoso, que jogou junto de um avanço do próprio corpo, que arremessou o americano para trás.

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Mas nem tudo são flores, não é mesmo? Você viu a luta, sabe o que começou a rolar constantemente nesse momento. Sim, aqueles chutes baixos, que começaram a entrar pontualmente e machucar a panturrilha de McGregor.

Algo importante é que, sempre que Dustin circulava para o lado certo, fugindo da mão de Conor, ele se saia melhor em seus ataques, porque tirava o ângulo de ataque do irlandês.

Depois de alguns, Conor que não é conhecido por disfarçar quando está ferido, começou a dar claros indícios de que a perna estava doendo – além do detalhe de estar menos móvel e mais plantado. 

Se você der um jeitinho de rever a luta, pode reparar na panturrilha direita do cara, a cada lapada, ela ta mais vermelha e inchada.

Seus golpes já não eram tão potentes, sua precisão havia diminuído, suas esquivas não eram tão rápidas e sua movimentação estava cada vez mais lenta e penosa.

(Photo by Jeff Bottari/Zuffa LLC via Getty Images)

Tudo terminou em um ataque iniciado pelo próprio McGregor, uma troca próxima a grade – com Dustin se movimentando lateralmente e o irlandês tentando cercá-lo, mas já sem parte dos movimentos com a perna direita.

Há uma troca de golpes, mas a perna do irlandês falha, ele não consegue prosseguir no seu avanço e recebe um outro chute no mesmo lugar. A sua perna que já não estava aguentando o movimento anterior, após o impacto simplesmente para – na verdade ela falha por um momento.

Dustin sente o cheiro de sangue e avança para matar, depois de caçar oportunidades, encontrar as brechas. O notorious fica de costas para a grade com pouca mobilidade e recebe uma metralhadora de golpes.

O diamante derrota McGregor depois de uma sequência de vários golpes conectados em seu rosto – eu acho que o último golpe, um uper curtinho, pegou mais pelo próprio Conor não estar mais se aguentando em pé, por conta da perna, do que pelo movimento feito por Poirier.

Ninguém é invencível 

(Photo by Jeff Bottari/Zuffa LLC)

No rugir dos tambores, Dustin Poirier vingou-se do nocaute sofrido por ele há seis anos, e empatou a partida em 1 a 1.

Também posso afirmar que o diamante apenas mostrou para o mundo uma deficiência que o irlandês sempre teve: sua postura elusiva deixa sua perna da frente, geralmente a direita, totalmente exposta para chutes baixos.

Bastou ele aplicar esses golpes, junto a uma estratégia correta – abafar no começo e circular sempre para o lado mais fraco de McGregor, que tudo deu certo.

Certo, não podemos tirar os méritos dele por ter suportado tudo o que o notorious impôs, porque ele tentou, e tentou muito implodir o rival como fez na primeira luta. Infelizmente, com 70kg, Poirier não é mais um cara desidratado e com pouca resistência.

O que podemos tirar do primeiro nocaute sofrido por McGregor? Ninguém é invencível, às vezes seu jogo só não foi mapeado totalmente ou aquele atleta ainda não encontrou alguém com as características certas para vencê-lo.

Bom, é isso galera, espero que vocês tenham gostado dessa leitura, mesmo ela sendo longa – mas o assunto precisava ser bem trabalhado. Não deixa de nos seguir nas nossas redes sociais, belezão? Elas estão listadas aqui em baixo! 

Um abraço e até a próxima!

Rodrigo Carvalho

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